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Julia Gil, Autor em Luz, Câmera e ação! https://luzcameracao.com.br/author/julia/ Fomentando o Audiovisual brasileiro! Mon, 22 Jun 2020 02:56:46 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 A Cor no Cinema: Uma Análise Sobre o Filme Okja https://luzcameracao.com.br/a-cor-no-cinema-uma-analise-sobre-o-filme-okja/ https://luzcameracao.com.br/a-cor-no-cinema-uma-analise-sobre-o-filme-okja/#comments Mon, 22 Jun 2020 02:38:40 +0000 https://luzcameracao.com.br/?p=2448 Darius Khondji, diretor de fotografia do filme Okja, sempre foi muito particular quanto a gravar em película e tinha uma grande rejeição para o digital, até ter acesso a Alexa 65. Em suas próprias palavras: “Sempre achei que trocamos filme por digital muito cedo, não do jeito certo e nem pelos motivos certos”. Mas após …

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Darius Khondji, diretor de fotografia do filme Okja, sempre foi muito particular quanto a gravar em película e tinha uma grande rejeição para o digital, até ter acesso a Alexa 65. Em suas próprias palavras: “Sempre achei que trocamos filme por digital muito cedo, não do jeito certo e nem pelos motivos certos”. Mas após “The Revenant”, a Alexa 65 chamou sua atenção por suas similaridades com filme 70mm. “Assim como 70mm (…) é muito interessante como ela reproduz e transpõe a realidade”. Usando essa câmera, Khondji pode capturar uma imagem macia, bastante semelhante ao que conseguiria gravando em película, e hoje diz que é a única câmera digital que usa. Por ter um sensor grande, as imagens tem profundidade, o que colabora com a visão do cinematógrafo sobre a estética do filme. O vídeo a seguir reflete sobre o escolha de cores q Darius Khondji usa em Okja, para guiar a experiência do expectador.

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Por que cortes funcionam? A teoria de Walter Murch https://luzcameracao.com.br/por-que-cortes-funcionam-a-teoria-de-walter-murch/ https://luzcameracao.com.br/por-que-cortes-funcionam-a-teoria-de-walter-murch/#comments Tue, 12 May 2020 00:25:09 +0000 https://luzcameracao.com.br/?p=2066 Edição é a arte de juntar e ordenar os planos de um filme, uma montagem que dança em frente aos nossos olhos. A cada corte há uma completa mudança, uma imagem é subitamente substituída por outra, algo que não experienciamos em nenhuma outra arte. Entretanto, ainda assim nossa mente é capaz de compreender essas diferentes …

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Edição é a arte de juntar e ordenar os planos de um filme, uma montagem que dança em frente aos nossos olhos. A cada corte há uma completa mudança, uma imagem é subitamente substituída por outra, algo que não experienciamos em nenhuma outra arte. Entretanto, ainda assim nossa mente é capaz de compreender essas diferentes imagens como partes de uma mesma cena coesa. Agora, se em nossa vida tudo o que experienciamos é sequencial, acontece continuamente e não vemos tal mudança súbita de ângulos: Por que cortes funcionam?

Walter Murch, editor de “O Poderoso Chefão”, “Apocalypse Now”, entre outros, introduz essa questão em seu livro “In The Blink of an Eye”. Se em nossa vida cotidiana experienciamos a realidade de forma contínua, por que aceitamos tão facilmente a descontinuidade no cinema? Ele coloca a questão dessa forma para explicar justamente o contrário: Nossa realidade aparenta ser um contínuo, mas experienciamos descontinuidade em muitos aspectos da nossa vida. Todos temos a experiência de ver algo na realidade e ser automaticamente transportados para uma imagem mental, ou para uma memória, ou ainda para cenas dentro da nossa imaginação. A própria experiência da memória pode ser relacionada à experiência de cortes em um filme: Quando lembramos o que fizemos ontem, uma série de imagens e fatos nos vem à mente de forma ordenada, mas não lembramos cada segundo do dia. Há “cortes”, vácuos no tempo e, ainda assim, entendemos tudo como parte de um todo, como numa história. Da mesma forma, podemos dizer que nossos sonhos apresentam descontinuidade, similar ao conceito de edição.

Para Murch, o que mais chama atenção sobre essa questão é o paralelo que pode ser feito entre cortes e o ato de piscar. A experiência de observar algo, piscar, e olhar para outra coisa é bastante similar a experiência de edição. Neste paralelo, Murch vai adiante e observa que o ato de piscar vai muito além do que mera função biológica de umedecer a superfície dos olhos. Ele nos chama a atenção para a hipótese de que há uma relação entre a frequência das piscadas com nosso estado emocional. “Se fosse apenas uma questão biológica (…) você piscaria apenas quando seu olho começa a ficar seco, e isso seria um numero constante para cada tipo de ambiente. Claramente não é este o caso: pessoas ficam sem piscar por minutos em determinados momentos e, em outros, piscam repetidamente, com variações entre um momento e outro”. Então fica a pergunta: o que nos faz piscar? 

Para Murch, o ato de piscar representa pausas em nossos pensamentos. Piscamos quando entendemos algo, ou para separar e organizar ideias dentro de nossas cabeças da mesma forma que cortes em um filme são como “piscadas” que pontuam imagens. Cada corte, para Murch, deve então refletir uma pausa em um pensamento, como vírgulas e pontos finais num texto. Dessa forma, o ato de editar um filme passa a estar muito mais relacionado com o estado emocional que o editor quer criar no expectador e não mais o simples ato de unir imagens numa cena. De fato, se é certo que o ritmo com que piscamos se relaciona diretamente com nossas emoções e pensamentos, o ato de piscar diz respeito intimamente com quem somos. Murch então nos dá um de seus maiores insights: A forma como cada ator pisca pode influenciar como editamos um filme. Para ele, um bom editor é aquele que se sensibiliza “com o ritmo que um (bom) ator nos dá, e acha caminhos para expressar esse ritmo (…) de forma que o filme como um todo é uma elaboração desses padrões de sentimentos e pensamentos”, sendo que uma das formas para acharmos esse ritmo é observando quando o ator pisca. 

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