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5 maneiras de usar a trilha sonora para criar ritmo e significado na cena

Os cineastas adoram brincar com nossas mentes. É o que eles fazem de melhor se forem bons em seu trabalho. Eles podem implantar uma série de maneiras de manipular o público, seja com ângulos de câmera, lentes específicas, com a iluminação da cena, com o diálogo ou com os movimentos dos atores – tudo, na verdade, tem o objetivo de transmitir um significado. E esse significado fica mais aparente com a escolha certa da trilha sonora durante uma cena.

Claro, nos lembramos de citações específicas e / ou ações físicas dos atores, mas todos nós podemos cantarolar alguns trechos dos filmes Jurassic Park, O Senhor dos Anéis ou A Rede Social. E há também o uso de canções populares (ou obscuras) pelos diretores em seus trabalhos. “Sister Christian” nesta cena de Boogie Nights, “I Got You Babe” em Feitiço do Tempo e “Day-O (The Banana Boat Song)” em Beetlejuice são todos ótimos exemplos de cenas que utilizam perfeitamente uma música.

Todas essas músicas e filmes são muito diferentes, mas todos utilizam a trilha sonora para criar ritmo e significado na cena. Aqui embaixo estão algumas das maneiras de usar música de forma eficiente no seu filme. Lembre-se disso ao selecionar a trilha para seu próximo projeto (via POND5).

1. Combine o tom da música com o tom da cena

Esta é provavelmente a forma mais comum de escolher uma trilha sonora. Você escolhe uma música ou composição que reflita o tom pretendido da cena. Um vídeo de lapso de tempo lento da Via Láctea não funciona muito com death metal, nem uma música atmosférica lenta funciona com um vídeo de tilt-shift de rali de monster truck.

Não é apenas a melodia ou batida da música que transmite a mensagem. Pode ser também a letra (se a música tiver letra). Letras tristes com uma melodia otimista podem não funcionar com um vídeo otimista, porque as letras ficariam muito contrastantes. O mesmo vale para músicas mais lentas com letras alegres. Certifique-se de que toda a peça se encaixe com o que você deseja transmitir.

Veja “The Sound of Silence” de Simon and Garfunkel. É uma música icônica e que foi usada em vários filmes, programas de TV e, sim, em memes. Mas como é uma música mais lenta e sombria com letras sérias, é usada para denotar uma virada triste, especialmente o riff de abertura. Dito isso, tem sido usado em comédias, dramas e filmes de ação, porque ainda dá aquela mudança tonal com as notas de abertura.

Aqui está um supercut de todos os exemplos mais notáveis (começando com o original, A Primeira Noite de um Homem), onde “The Sound of Silence” entra em ação é levada a sério – especialmente se os personagens cometeram um grande erro.

2. Faça o oposto e não combine a trilha de propósito

Por outro lado, os cineastas usarão uma música ou composição “inadequada” para transmitir o caos em uma cena calma ou a calma em uma cena caótica. Muitas vezes isso é usado para efeitos cômicos, como no filme Vingança sob Encomenda, quando o personagem de Chris Farley quer uma ótima música de luta, mas escolhe… bem, você terá que clicar aqui embaixo e ver com seus próprios olhos.

Um exemplo de música calma em uma situação caótica seria em Procurando Dory, no final em que o caminhão salta do penhasco e o filme inteiro fica mais lento quando “What a Wonderful World” começa a ser reproduzido. Isso nos dá uma sensação de humanidade, pois o caos está acontecendo. (SPOILERS!)

3. Utilizar música diegética e não diegética

Música diegética é a música que está acontecendo a partir de uma fonte de dentro do mundo do filme. No vídeo do Feitiço do Tempo que linkamos lá no começo, o despertador é um exemplo de música diegética. Está vindo de um suporte de dentro do mundo do filme. Música não diegética é a música adicionada fora do espaço da história. Isso é basicamente qualquer base musical ou partitura que você adiciona para criar ritmo e significado na cena.

Quando ouvimos música diegética, não temos a mesma reação de quando ouvimos a não diegética. Entendemos que está afetando os personagens da história (o que pode, por sua vez, nos afetar como espectadores), mas não tem tanto vigor, porque existe a barreira da realidade da qual estamos atrás, experimentando a música do fora. No entanto, se a música diegética se transformar em música não diegética, instantaneamente nos sentiremos imersos na história e seremos afetados diretamente pela música.

Veja esta cena de Mong e Lóide. Veja a música passar de diegética no rádio no carro para não diegética e vice-versa. Você notará a diferença quando estiver no carro; é uma sensação diferente de quando muda para o mundo exterior no filme.

4. Dê ênfase aos momentos importantes

Filmes de esportes são notórios por suas canções gigantescas que provocam uma onda de emoções. Quando você traz uma música tão épica e intensa, é realmente difícil não ter um grande efeito no espectador – então, tenha isso em mente se quiser que seja mais sutil – mas, no geral, você pode utilizar uma trilha sonora épica para realmente aprimorar a emoção que você deseja transmitir. Assista à última tentativa de Roy Hobson (Robert Redford) em The Natural e tente não ficar arrepiado. (SPOILERS)

A música aumenta, atingindo os espectadores bem no coração e puxando as cordas até que eles tenham calafrios e estejam catalogando este momento como um dos melhores que já viram. Nunca tenha medo de ser épico – apenas certifique-se de que se encaixa. Uma trilha sonora épica para um vídeo sobre como cortar vegetais não vai realmente fazer muito sentido.

Para ver a importância de uma trilha, confira este vídeo de E.T. O Extraterrestre (SPOILERS ) sem a trilha sonora final épica de John Williams.

5. Transporte o público para um horário e local específico

Se você apenas ouvisse um filme passando na outra sala e houvesse alguma música de Huey Lewis and The News ou Michael Jackson na cena, você saberia que este filme provavelmente se passa na década de 1980. 

Os cineastas podem ambientar datas e períodos de tempo específicos apenas usando certas músicas. Diferentes gerações podem compreender essas músicas de maneira diferente, é claro, mas o resultado final é que elas criam uma tapeçaria muito detalhada para quando e onde uma narrativa ocorre e podem plantar os espectadores ali para experimentar os mesmos sentimentos daquele período de tempo – como, por exemplo, a era disco dos anos 1970/80.

Existem algumas ressalvas a esta regra, no entanto. Como acontece com a maioria das “regras” de cinema, elas podem ser quebradas. Escolhas musicais anacrônicas foram usadas por muitos cineastas ao longo dos anos. Sofia Coppola usou música pós-punk moderna em Maria Antonieta; Coração de Cavaleiro apresenta canções clássicas de rock do Queen e AC / DC; Baz Luhrmann usou todos os tipos de canções modernas de artistas como Nirvana e U2 em medleys e números musicais para o Moulin Rouge; e Quentin Tarantino usou canções de Rick Ross e John Legend para Django Livre.

Pode ser muito chocante e muito estranho, mas também pode se misturar perfeitamente com o clima, personagens e enredo para dar uma grande justaposição de música e visuais. Use essa tática com precaução, porque muitas pessoas odeiam isso, e também porque é difícil de conseguir acertá-la.

Confira também:  Como operar um microfone boom? 5 dicas para melhorar o áudio do seu filme

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