Como editar uma cena de ação: 5 dicas para manter o público sempre atento e imerso na trama
Como editar uma cena de ação?
O cinema é abençoado com uma grande quantidade de sequências de ação que nos empurram para a borda de nossas poltronas todos os anos como em filmes de super-heróis, agentes secretos, robôs e muito mais, todos cruzando nossas telas em momentos projetados para mexer com nossas emoções.
Mas, embora possamos conhecer muitas boas sequências de ação, as grandes que se tornam clássicas são mais raras.
Além de todos os envolvidos na criação de sequências de ação memoráveis (roteiristas, diretores, cinematógrafos, coordenadores de dublês, segundas unidades, coreógrafos de dublês), os editores são uma figura fundamental para fazer uma boa sequência virar uma ótima sequência.
Se eles usarem a técnica certa, claro.
Editar uma cena de ação clássica pode ser uma mistura de habilidade, experiência e alquimia, mas existem técnicas confiáveis que as melhores sequências usam e que os editores podem usar para deixar sua própria marca no gênero. Apresentamos cinco dessas técnicas aqui nesse texto (via Frame.io).
1. Cortar para os rostos dos atores para nos lembrar do fator humano
Personagens, e os atores que os representam, são a cola (não tão) secreta que mantém qualquer grande sequência de ação junta. Puxe uma sequência de ação clássica em sua cabeça – seja a perseguição de caminhão em Os Caçadores da Arca Perdida, a Batalha do Abismo de Helm em O Senhor dos Anéis: As Duas Torres ou a luta na sala inclinada em A Origem. Imagine reeditá-las sem mostrar quaisquer cortes ou ângulos que nos mostre os rostos dos personagens. Você ainda teria ação, mas algo estaria faltando: a sensação de que tudo aquilo importa.



Nenhum editor precisa ser informado sobre o valor de um plano de reação e que cortar para os rostos dos atores reagindo e olhando, orienta os espectadores para entender o que está acontecendo, onde está acontecendo, para quem e de que perspectiva. Mas usar planos médios ou em close-up durante a ação tem um propósito mais significativo quando feito da maneira certa.
Ver um ator expressar dor após levar um soco, ou ansiedade ao derrapar um carro em uma esquina apertada, nos lembra das apostas humanas – não importa o quão fantasiosa a ação possa ser.
Não são CGI ou efeitos especiais que tornam uma cena de ação verdadeiramente crível. É ser lembrado das apostas humanas e emocionais relacionáveis, a fim de cimentar a ilusão de que essas são pessoas de verdade, assim suspendendo nossa descrença e fazendo nos preocupar com eles. E quando um editor se lembra disso, isso nos permite, como público, imergir nas emoções (se não nas situações) que podemos reconhecer.
2. Cortar o movimento para adicionar energia e impulso.
A ação não deve ser apenas vista, deve ser sentida. E não apenas na forma emocional humana que descrevemos acima. Há uma razão pela qual muitas grandes cenas de ação são chamadas de cinéticas: elas podem possuir uma energia que salta da tela.
Normalmente, essa energia vem do movimento de objetos na tela, principalmente com a ação: punhos voando, carros derrapando nas esquinas, corpos se esquivando de explosões. Mas os editores podem acentuar a energia de uma sequência de ação para um efeito significativo, cortando o movimento.
Uma vez que um primeiro soco se conecte com um rosto durante uma briga, corte. Quando um braço se estica para apontar uma arma em um impasse mexicano, corte. Assim que o volante for girado para a esquerda durante uma perseguição, corte. Siga esses cortes com outro em movimento, e uma sequência e assim desenvolva um momento cinético. A ação assume um ritmo, como a batida de uma música pop cativante, o que a torna mais visceral e real, e transforma a ação em um sentimento.
3. Estabelecer e preservar a geografia do espaço

O trabalho de editar uma cena de ação, de muitas maneiras, é apresentar informações visuais para o público processar. A forma como essas imagens são editadas cria não apenas significado, mas como ou se esse significado será compreendido. Quanto melhor o público entender o que é mostrado, mais ele poderá ficar imerso na história. Isso é algo que tem sucesso em grandes sequências de ação, em grande parte por causa da geografia do espaço.
É importante garantir que o público esteja claramente orientado no espaço onde a ação acontecerá para enraizá-lo adequadamente em um lugar. Os primeiros cortes devem mapear a geografia de uma sequência e, em seguida, preservar com cautela a noção clara de espaço do público. Porque se o público perder isso, há o risco de desorientação e, em seguida, desapego enquanto tentam descobrir o que está acontecendo com quem e onde.
Isso os obriga a se orientar, o que significa que não são capazes de sentar e prestar tanta atenção à história e à ação. Mas se você incorporar em seu fluxo de trabalho a prioridade para estabelecer e orientar a geografia de uma cena, isso pode ser facilmente evitado.
4. Cada corte deve servir ao mini arco narrativo de uma sequência de ação
Uma sequência de ação memorável não é apenas uma série de ações físicas ou balísticas. As melhores cenas do gênero estão todas a serviço da história maior de um filme. No entanto, as melhores também funcionam como mini-histórias autônomas com um começo, meio e fim que você poderia extrair do filme e que ainda fariam sentido narrativo. Elas são impulsionadas pela forma como uma história é frequentemente definida: um personagem querendo algo e precisando superar um ou mais obstáculos para consegui-lo.
(O vídeo do Nerdwriter sobre Abismo de Helm faz um excelente trabalho ilustrando a importância de uma cena de ação ser um mini-arco de história por conta própria.)
Uma técnica para garantir que isso aconteça é cortar qualquer cena que não sirva para a progressão da mini-história.
Editores não são apenas organizadores de filmagens, eles são contadores de histórias. E, como tal, cada tomada em uma cena de ação deve ser examinada para ver como ela avança a história. Porque, ao contar uma sequência de ação dessa maneira, ele cria uma narrativa que permitirá que a ação ressoe mais intensamente com o espectador e crie um feito narrativo mais completo que não pareça sem objetivo ou sem sentido. A ação deve ser entretenimento, mas também deve significar algo no âmbito do filme.
5. Permitir ações completas em uma cena
Uma reclamação comum sobre os filmes de ação modernos pode ser que muitos se tornaram indecifráveis. Uma mistura de trabalho instável de câmera e edição excessiva (corte muito rápido, com muita frequência) prejudica a capacidade do público de processar adequadamente o que está vendo. Isso pode levantar a questão: qual é o ponto de uma sequência de ação se você não pode realmente ver a ação que levou meses para uma produção ser montada?
Não há nada de errado com o corte rápido, é claro. A técnica mencionada anteriormente de corte em movimento frequentemente resulta nisso. Mas o que muitas das melhores sequências de ação garantem fazer, é permitir que uma cena mostre uma ação e um movimento completos.
Um bom exemplo do oposto disso é um momento muitas vezes ridicularizado em Busca Implacável 3, onde a única ação de Liam Neeson pulando uma cerca é dividida em 14 cortes diferentes. Se você garantir que qualquer cena mostre uma ação completa, terá uma chance muito melhor de permitir a apreciação e a imersão do público.
Como editar uma cena de ação: Conclusão
Essas cinco técnicas diferentes para editar uma cena de ação têm pontos em comum. O principal deles é que elas produzem o efeito imersivo que o melhor do cinema – do gênero ação ou outro qualquer – pode nos dar. Vamos ao cinema para ver o impossível tornar-se verossímil, para ver o ficcional feito para parecer real. Cada uma dessas técnicas editoriais contribui para o efeito alquímico disso, garantindo que o que é criado se torne algo que nos atrai mais profundamente e assim nos lembrando porque vamos ao cinema.
Confira também: Fazer cinema com celular: Dicas para tornar as filmagens do seu smartphone mais cinematográficas
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